October 13, 2007

perco minha mais completa obra no caminho do banheiro por falta de papel
na produção do evento eles continuam a jogar ping-pong..

faço o caminho mais longo em busca de um banheiro limpo
e no caminho de volta, acelero o passo pra relembrar
e vou esquecendo
o tal poema.

passo pelo cigarro que apaguei e que joguei na caixinha de terra,
vou pelo trilho que ainda existe na beira do cais
quase que volto correndo,
mas não quero chegar na outra ponta esbaforida.
mesmo rápida percebo muitos cigarros pelo chão e penso no que pensaram eles..

vou perdendo cada vez mais o poema que criei.

não vou parar de novo na beira do rio pra lembrar,
chego aqui pra escrever e vou de trás pra frente pra depois remontar.

parei na margem do rio e olhei para dentro dele
ouvia um som espacial que vinha do armazém do cais atrás de mim
enquanto que atrás dele a cidade do caos rugia mais alto.

parei de olhar o rio e vi
andando pelo trilho
um cara com cara de woody allen tentando se equilibrar, uma pessoa com uma máquina fotográfica e algumas outras vagando por ali
tanto bicho por volta, tanta gente ao redor
dentro do rio, uma porção de objetos fazia dele um lugar inóspito
e eu pito aquele meu único cigarro
que não dá barato
pra acentar minhas idéias..




um menino que não se diz artista diz que é arte olhar pro rio
eu que não sou escritora escrevo a minha mais bela obra de poema
eu que não fumo, continuo tonta do cigarro.

minha mais bela obra de poema não vai ser revistada
vai ser capa de jornal
vai ser rápida e fugaz

minha obra de poema é
obra de poeta
obra de mané

ela ficou pelo caminho por falta de papel
por falta de memória

ela é feita porque andei até bem longe
e perdida porque a volta era igualmente longa.

6 comments:

Anonymous said...

uou! mandou bem, lá onde a coruja dorme.

alice said...

acordou ela e tudo!

não achou lá a vontade pescando? porque ela dá essas bandas assim, no mais, e me deixa na mão (na mão de quem? do quê?).
ela é de lua e de sol, vai saber.

cintilante said...

só uma trombadinha!

:P


visitinha depois de séculos.....

Anonymous said...

bem, você podia usar uma dessas novas extensões da memória mortáteis e pós-modernas.

Anonymous said...

quis dizer portáteis

claudio levitan said...

vá se entender o tempo! hoje só que descobri esse poema e me deliciei com o discorrer e o desvendar de um pensamento-poema. ..lindo! por isso, é preciso escrever, sáo cartas para sempre!