March 30, 2014


TORNAR pública A MINHA TRANSPARÊNCIA



um dia, disse a mim mesma: 'parece que o mundo me rogou uma praga, fez de 1 (uma) simples atitude uma grande montanha-russa'. Entretanto, ao contrário de 'rogar uma praga', ele fez dessa simples decisão, um dos maiores aprendizados da minha vida, que se encontra agora na beirada dos 33 anos. tal atitude ocorreu há 7 anos atrás, no instante em que eu acreditava estar o mais próximo do meu real destino. Nesta hora, meu coração, que deveria saltar de alegria, parou de bater e me disse pra sair.

sair da banda que eu ajudei a construir não foi uma simples decisão. Nesse pacote de afastamento eu precisei revisar toda a minha posição política e o meu caráter + a confusão de uma fase adulta inicial + o aprendizado de amar + o desapego diante da impotência de mudar o outro. Morava ali, naquela combustão de ideias, a minha essência e grande parte das minhas falhas.

eu nunca imaginei quais seriam os resultados dessa saída, nem nunca teria enxergado o que vi, se meu coração não tivesse apontado para dar o passo seguinte. Minha decisão não foi elaborada, ela foi, somente, muito bem acompanhada. Eu percebi todos os meus sentimentos, avaliei minhas reações e deixei o cheiro do dia a dia me conduzir. Houveram pequenos e duvidosos sinais de que 'a coisa não cheirava bem', porém foram os grandes conflitos que confirmavam a minha mudança. Somado, um suave sinal dizia que a situação local se reorganizaria e, discordando com o sentimento de alguns colegas que se assustavam com a minha saída, esse sinal otimista de reorganização ajudou no pontapé final. O melhor que eu podia fazer era sair: 'vai dar tudo certo, todos ficarão bem', acreditei.

que rumo forte segui. Forte, intenso e bom. Mais do que satisfatório. E ele está sendo cada vez melhor, porque as confusões e o atropelamento de autorias doeram muito. E, às vezes ainda doem, mas a cicatriz virou marca e ajudou a corrigir meus defeitos.

Quem diria! Que uma inocente paixão de criar, inventar e amar as ideias pudesse causar tamanha confusão. Quando deixei de trabalhar na banda imaginei que eu me levaria junto, mas ficou por ali meus bonecos vivos, e 'que lindo vê-los brincar sozinhos!', pensei. Porém, quando cortaram minha ligação com eles e fizeram uma cara feia pra mim, vi uma nuvem negra se aproximar e escutei risadas de terror. Percebi que era melhor eu não me meter, que não existiam mais amigos naquela pracinha. O papo agora era business e essa língua eu travo pra conversar.

então, depois de conhecer a cara do monstro, eu fiz um filme chamado 'O vendedor de ilusões, mata criancinhas', um filme sobre o atual quadro do capitalismo e das manifestações contemporâneas ditas horizontais. A ideia central relaciona arte, comunismo e liberdade. Imperdível. Em breve será exibido nos cinemas, o difícil é ficar sabendo quando, porque não sabemos muito bem como lidar com a mídia convencional.

sinto.
sinto muito por não entender que a minha presença física, naquele lugar onde despejei [sem medida] uma quantidade enorme de amor, possa ainda causar tamanho desconforto.
mas não há o que entender, e se não há desejo de aproximação, me afasto de todo o sentimento para fazer voar, cada vez mais leve, a minha vida.


Na criação de 1 ideia não devia estar incluso doses cavalares de competição e inseguranças. Amigos deveriam apoiar uns aos outros para entender, com humildade, o lugar que cada um ocupa no mundo.

2 corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço; nem nunca ocuparão.





tarja branca

March 29, 2014

March 10, 2014

yes

cara
minha maquina de lavar tretou afu aqui de tarde
fico num loop mto loco
enfim
gravei uma doencinha por cima
se tu tiver na pilha de escutar me passar teu mail
tô tentando ser um cara experimental hahaha


abzzz

March 07, 2014

timoneiro que guia o barco é passageiro das tempestades - Retrointrospectiva 2013

2013 foi um ano esgotado.  
Sem contar as manifestações que requebraram o molejo de todos os brasileiros e botaram fogo na copa do mundo, fazendo o novo ano começar sem folga. 2013 até agora não nos deixou respirar. Terminou no susto ou nem terminou, passou a virada na expectativa desse ano torto.
2014 começou com notícias megalodramáticas tristes, chocantes, seguidas de mortes repentinas e outras cruéis, sob um calor de 47 graus de exageros. O ano começou com delírios e delírios e a cabeça buscando uma saída pra funcionar e seguir adiante.


Escrevo aqui uma retrointrospectiva, um desabafo do louco que foi e de como está sendo essa virada de ano.
(suspiro)
... e nossa, rolou muita coisa este ano...


Comecei com novas composições, com o coração batendo a mil, comendo pouco e com muita sede. Me isolei no Farol de Santa Marta e joguei pro ar algumas músicas no álbumsim,please. Músicas feitas com violão acústico e voz desafinadinha, com simplicidade na autoprodução, no calor da intimidade e sem nenhum lançamento oficial, com o otimismo de um futuro incerto e na busca da suavidade e do amor quase-incondicional.
> sem confusões, por favor, ou tu me diz sim ou sigamos por caminhos diferentes.
> amor não vem com brigas, é complexo, mas é sim, please.


Seguindo com a música: toquei com os braços verdes amazônicos no palco do Conexões Globais, na CCMQ, o show con-fuso horário Londrino via Skype do Lote3, uma alucinação sonora em parceria com o mais legítimo contrabaixista underground de free improvisation, Graham MacKeahan.
: relaxa e se deixa levar pelo som.
: o som, solto no ar, invade os ouvidos sem catraca.  
: ele faz sentido, faz sentir, faz tirar os pés do chão.
: sem palavras, deixa o louco entender este mundo lógico.
: que-se-dane-a-razão.

Entretando, achar que será confortável bater o pé no chão no beat do power trio - Ian RamilGuilherme Ceron e eu - pode ser ilusão. Nem toda canção sossega. Abaixo de luz vermelha, com furadeira ligada e o coração na mão, fizemos um show na Casa de Teatro, no começo de 2013. Depois, passado o furacão do meio do ano, apresentamos no Renascença, com o batera livre que fuma luz, Martin Estevez!




Com o grupo Criança Faz Brinquedo Feliz - Daniel AlmaoeLucas Kinoshita e Lule Bruno - fizemos um baita show em Dois Irmãos para o projeto Filho do Mestre. O show foi dentro de uma igreja, e nós chamamos os santos e tocamos para as crianças no dia das mães.
[ as crianças não precisam entender, elas... gostam ]
Chamei o Guilherme Ceron e o patati do meu pai para se juntar ao grupo e fazer as trilhas da nova série do Programa Pandorga, que terá lançamento nacional em 2014, pelaTV Brasil.

Os tropicalistas do sul, Cláudio Levitan e o Wanderlei Falkenberg, convidaram Pâmela AmaroThiago Carretero e eu para fazer um show, no Santander Cultural, em homenagem ao tropicalismo no sul. Foi uma honra de convite, com divertidos ensaios e uma delícia de show. Chegaram a me chamar de Rita Lee do sul, elogio que eu coloco no currículo.



E lá veio o Parafuso de Algodão - a turma que pega fogo e solta bolhas de sabão gigantes, joga laranjas do céu, faz voar aviõesinhos e congelar sobre bicicletas. Nos apresentamos este ano no renomado PoA em Cena, concorrendo ao prêmio Braskem. Não foi desta vez que levamos o troféu, mas os giros do Parafuso de Algodão ainda vão furar as nuvens por aí.


Fiz trilhas sonoras para vídeos de pesquisas acadêmicas, específicas, especialíssimas, microscópicas e cientificamente abstratas.
Toquei no Cabaret do Verbo experimental com Guilherme Ceron.
Participei do show Avulsas do Dr. Cláudio Levitan, com participação da Bela Stone eThiago Carretero, no Studio Clio. 
Fui assistente de cenografia do Adriá Pinar e pau-pra-toda-obra do filme de animação e bonecos Os Retirantes, de Maíra Coelho
Fiz a trilha sonora ao vivo da leitura dramática de Colméia, texto de Diones Camargo e dirigida por Gilson Vargas, durante a 6ª Festa Literária de Porto Alegre, na CCMQ.


Tivemos o áudio selecionado para Bienal de Kampetorp, na Suécia, que me deu a oportunidade de aprender o sotaque sueco e trocar ideias energéticas com meu amigoPrux ! A partir dessa experiência, formamos a dupla Serendipity Crux, que espero, muitas waves rolar.

A música, disse Hermeto Pascoal, é tudo. Então, pra que formar uma banda, se há vários caminhos para serem vividos? Cuidado, não esqueça: nosso coração nos guia, o mundo pode ser traiçoeiro e a fama dar pontapés. O principal motivo para fazer música é evidente: diversão e liberdade, temos que nos sentir livres, inteiros e honestos com a nossa estrada. E esse deve ser o principal motivo da vida. Sigamos!
E por falar em vida, mulheres cadê vocês? Ainda vejo poucas nos estúdios de música ou atrás de aparelhagens de som e instrumentos musicais. Entretanto, este ano, a convite daMariana Bandarra, juntamos os bigodes artísticos com a Gabriella Tachini e a Bibiana Morena e tocamos e em alguns lugares de Porto Alegre, como Mulher de Bigode.
¡¡está aí a real diversão de compôr, ter ideias e trocar opiniões!!

tá ok, mas e daí? De que valem nossas ideias se não transformamos ela em business, facebook?
bobagem pensar assim. o valor das ideias esta no entusiasmo pela vida.

E foi assim, cercados pelo grande business da arte contemporânea, hastiamos nossa bandeira pirata e demos luz às mais diversas ideias do João, da Maria e do José. AEscola Caseira de Invenções gerou polêmica e sossegou a mente e o coração de muitos ciganos espalhados por aí. Vários, milhares e diversos artistas tiveram o gostinho de participar da 9ª Bienal do Mercosul e pôr em prática seus processos criativos. Tiveram mais de 100 atividades em 48 dias... ! Isso é muita coisa, e foi muito intenso, e valeu muito a pena. Monica Hoff lançou o desafio, o Alberto Gomez e eu (des)governamos o barco e a tripulação de Mala Fede, Pedro Lunaris, Evelyn Ly, Arthur Lang, Willian Arsolin e Ricardo Curti seguraram o leme! Contamos com os companheiros Renata Nascimento,Paulete ProductionLiege FerreiraKlaus LokoLuise BroleseAna de Carli, Estevão Haeser e mais e mais gente boa que seguiram conosco nesta viagem. Os nomes são muitos, todos com suas marcadas importâncias. Foi linda experiência e este barco segue em frente.





O ano virou, projetos em andamento serão lançados em breve e outros, muito empolgantes, iniciam agora. Depois do turbilhão da virada, com mais calma, completo com os novos projetos o meu site e vejo que ele virou a segunda página: http://www.carinalevitan.com 
Sigamos assim. 

Como pequena conclusão desta retrointrospectiva, fica aqui meu relato: acredito que o mais valioso de 2013, foi ver com meus próprios olhos, agitar na chuva entre milhares e sentir direto no coração que, diante de tanto lixo que existe nesse país, há sim, muitos parceiros que eu posso confiar. Quero, COM ELES, seguir e contar mais histórias.

Não solta minha mão, meu coração agradece.
Espalharemos as ideias por aí, pelo vento, no ar ou em folhas soltas com rabiscos.

Valeu,
Carina Levitan