Eu tava lendo na beira da piscina, sentada do lado do meu pai quando ele comecou a conversar sobre o quanto era interessante criar uma musica. Na verdade, o sensacional era gravar a musica, pois parecia um projeto de arquitetura onde a bateria e o baixo formavam a estrutura do predio e as paredes e decoracoes iam sendo acrescentadas no decorrer da obra e que era somado diversas camadas ate chegar no lustre da casa, onde tudo tinha de estar no seu devido lugar e com talvez configuracoes diferentes, se fosse o caso.
Tive que parar de ler e escutar a conclusao. Meu pai tava empolgado explicando e refletindo sobre a arte de gravar e arquitetar um som. Fiquei segurando minhas folhas de leitura e olhando pra piscina enquanto ele falava.
Me perguntou, em seguida que notou que eu nao estava respondendo muito, o que eu estava pensando.
Puts, eu escutei, concordei e acho que ate sairiam mais palavras, mas naquele instante o que eu estava pensando era quem de fato abria e fechava a torneira daqueles chuveiros que corriam abertos na nossa frente.
A resposta nao pareceu ser muito o que ele esperava, por isso ele demorou alguns instantes ate engrenar de novo e, refletindo, dizer que talvez Sartre, no meu lugar, nao estaria pensando aquilo, mas era possivel que Tolstoi estivesse. Talvez Platao desse a resposta, mas nao facilmente, ou quem sabe Nietzsche, ou Kant ou...
Depois de alguns minutos tentando, talvez, resolver o enigma, ele parou.
Dei um tempo e perguntei se ele havia chegado a alguma conclusao.
Ele respondeu, prontamente, 'o zelador', mas meio em duvida.
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