2013 foi um ano esgotado.
Sem contar as manifestações que requebraram o molejo de todos os brasileiros e botaram fogo na copa do mundo, fazendo o novo ano começar sem folga. 2013 até agora não nos deixou respirar. Terminou no susto ou nem terminou, passou a virada na expectativa desse ano torto.
2014 começou com notícias megalodramáticas tristes, chocantes, seguidas de mortes repentinas e outras cruéis, sob um calor de 47 graus de exageros. O ano começou com delírios e delírios e a cabeça buscando uma saída pra funcionar e seguir adiante.
Escrevo aqui uma retrointrospectiva, um desabafo do louco que foi e de como está sendo essa virada de ano.
(suspiro)
... e nossa, rolou muita coisa este ano...
Comecei com novas composições, com o coração batendo a mil, comendo pouco e com muita sede. Me isolei no Farol de Santa Marta e joguei pro ar algumas músicas no álbumsim,please. Músicas feitas com violão acústico e voz desafinadinha, com simplicidade na autoprodução, no calor da intimidade e sem nenhum lançamento oficial, com o otimismo de um futuro incerto e na busca da suavidade e do amor quase-incondicional.
> sem confusões, por favor, ou tu me diz sim ou sigamos por caminhos diferentes.
> amor não vem com brigas, é complexo, mas é sim, please.
Seguindo com a música: toquei com os braços verdes amazônicos no palco do Conexões Globais, na CCMQ, o show con-fuso horário Londrino via Skype do Lote3, uma alucinação sonora em parceria com o mais legítimo contrabaixista underground de free improvisation, Graham MacKeahan.
: relaxa e se deixa levar pelo som.
: o som, solto no ar, invade os ouvidos sem catraca.
: ele faz sentido, faz sentir, faz tirar os pés do chão.
: sem palavras, deixa o louco entender este mundo lógico.
: que-se-dane-a-razão.
Entretando, achar que será confortável bater o pé no chão no beat do power trio - Ian Ramil, Guilherme Ceron e eu - pode ser ilusão. Nem toda canção sossega. Abaixo de luz vermelha, com furadeira ligada e o coração na mão, fizemos um show na Casa de Teatro, no começo de 2013. Depois, passado o furacão do meio do ano, apresentamos no Renascença, com o batera livre que fuma luz, Martin Estevez!
Com o grupo Criança Faz Brinquedo Feliz - Daniel Almaoe, Lucas Kinoshita e Lule Bruno - fizemos um baita show em Dois Irmãos para o projeto Filho do Mestre. O show foi dentro de uma igreja, e nós chamamos os santos e tocamos para as crianças no dia das mães.
[ as crianças não precisam entender, elas... gostam ]
Chamei o Guilherme Ceron e o patati do meu pai para se juntar ao grupo e fazer as trilhas da nova série do Programa Pandorga, que terá lançamento nacional em 2014, pelaTV Brasil.
Os tropicalistas do sul, Cláudio Levitan e o Wanderlei Falkenberg, convidaram Pâmela Amaro, Thiago Carretero e eu para fazer um show, no Santander Cultural, em homenagem ao tropicalismo no sul. Foi uma honra de convite, com divertidos ensaios e uma delícia de show. Chegaram a me chamar de Rita Lee do sul, elogio que eu coloco no currículo.
E lá veio o Parafuso de Algodão - a turma que pega fogo e solta bolhas de sabão gigantes, joga laranjas do céu, faz voar aviõesinhos e congelar sobre bicicletas. Nos apresentamos este ano no renomado PoA em Cena, concorrendo ao prêmio Braskem. Não foi desta vez que levamos o troféu, mas os giros do Parafuso de Algodão ainda vão furar as nuvens por aí.
Fiz trilhas sonoras para vídeos de pesquisas acadêmicas, específicas, especialíssimas, microscópicas e cientificamente abstratas.
Toquei no Cabaret do Verbo experimental com Guilherme Ceron.
Participei do show Avulsas do Dr. Cláudio Levitan, com participação da Bela Stone eThiago Carretero, no Studio Clio.
Fui assistente de cenografia do Adriá Pinar e pau-pra-toda-obra do filme de animação e bonecos Os Retirantes, de Maíra Coelho
Fui assistente de cenografia do Adriá Pinar e pau-pra-toda-obra do filme de animação e bonecos Os Retirantes, de Maíra Coelho
Fiz a trilha sonora ao vivo da leitura dramática de Colméia, texto de Diones Camargo e dirigida por Gilson Vargas, durante a 6ª Festa Literária de Porto Alegre, na CCMQ.
Tivemos o áudio selecionado para Bienal de Kampetorp, na Suécia, que me deu a oportunidade de aprender o sotaque sueco e trocar ideias energéticas com meu amigoPrux ! A partir dessa experiência, formamos a dupla Serendipity Crux, que espero, muitas waves rolar.
A música, disse Hermeto Pascoal, é tudo. Então, pra que formar uma banda, se há vários caminhos para serem vividos? Cuidado, não esqueça: nosso coração nos guia, o mundo pode ser traiçoeiro e a fama dar pontapés. O principal motivo para fazer música é evidente: diversão e liberdade, temos que nos sentir livres, inteiros e honestos com a nossa estrada. E esse deve ser o principal motivo da vida. Sigamos!
E por falar em vida, mulheres cadê vocês? Ainda vejo poucas nos estúdios de música ou atrás de aparelhagens de som e instrumentos musicais. Entretanto, este ano, a convite daMariana Bandarra, juntamos os bigodes artísticos com a Gabriella Tachini e a Bibiana Morena e tocamos e em alguns lugares de Porto Alegre, como Mulher de Bigode.
¡¡está aí a real diversão de compôr, ter ideias e trocar opiniões!!
tá ok, mas e daí? De que valem nossas ideias se não transformamos ela em business, facebook?
bobagem pensar assim. o valor das ideias esta no entusiasmo pela vida.
E foi assim, cercados pelo grande business da arte contemporânea, hastiamos nossa bandeira pirata e demos luz às mais diversas ideias do João, da Maria e do José. AEscola Caseira de Invenções gerou polêmica e sossegou a mente e o coração de muitos ciganos espalhados por aí. Vários, milhares e diversos artistas tiveram o gostinho de participar da 9ª Bienal do Mercosul e pôr em prática seus processos criativos. Tiveram mais de 100 atividades em 48 dias... ! Isso é muita coisa, e foi muito intenso, e valeu muito a pena. Monica Hoff lançou o desafio, o Alberto Gomez e eu (des)governamos o barco e a tripulação de Mala Fede, Pedro Lunaris, Evelyn Ly, Arthur Lang, Willian Arsolin e Ricardo Curti seguraram o leme! Contamos com os companheiros Renata Nascimento,Paulete Production, Liege Ferreira, Klaus Loko, Luise Brolese, Ana de Carli, Estevão Haeser e mais e mais gente boa que seguiram conosco nesta viagem. Os nomes são muitos, todos com suas marcadas importâncias. Foi linda experiência e este barco segue em frente.
O ano virou, projetos em andamento serão lançados em breve e outros, muito empolgantes, iniciam agora. Depois do turbilhão da virada, com mais calma, completo com os novos projetos o meu site e vejo que ele virou a segunda página: http://www.carinalevitan.com
Sigamos assim.
Como pequena conclusão desta retrointrospectiva, fica aqui meu relato: acredito que o mais valioso de 2013, foi ver com meus próprios olhos, agitar na chuva entre milhares e sentir direto no coração que, diante de tanto lixo que existe nesse país, há sim, muitos parceiros que eu posso confiar. Quero, COM ELES, seguir e contar mais histórias.
Não solta minha mão, meu coração agradece.
Espalharemos as ideias por aí, pelo vento, no ar ou em folhas soltas com rabiscos.
Valeu,
Carina Levitan








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