E por agora nem ruído. Milhões de pessoas num faroeste úmido, tudo cinza em sol a pino, numa incessante busca por diferentes becos, ruelas, avenidas. Passados cruzamentos, caminham em monólogos, gritando em ideais discursivos e completamente vagos. Pessoas alheiam se encaixam, se empacotam, se acomodam em buracos, por frestas, como líquidos derramados, ajeitam-se e permanecem por lá.. até secar...
E é tanto grito que se ouve o nada, agonizando o ouvido, numa microfonia realmente destroçada. O ausente que perturba e distrai. Afino o ouvido e tento escutar o barulho rouco de alguns lugares, de um lugar quieto, porém bastante caótico. Um pequeno silêncio, nas frases pausadas, daqueles que falam em reverso, em tempo diverso, desses ainda consigo escutar... Mesmo assim, estamos todos em uma grande panela, abarrotada de descrença, de tanto fedor, de tanto vazio, só há vazio, soar em vazio, num vácuo, te vá! Te ignoro!
E virados em bandidos, multidão em tiroteio, não quero ser bala perdida. Guardo o cartucho e seguro um revolver descarregado. Assisto a tudo e arrisco entender, me envolvo num movimento de fuga e procura. Enquanto alguns de soslaio observam, me encontro em meio a um campo de guerra, desviando uns e permitindo algumas agressões. Curo o sangue da ferida a lágrima salgada. Saio, sou uma forasteira da minha própria cidade, pretensiosamente acreditando que a conheço e iludindo-me de que a imundice só existe lá.
E tudo num jogo vigarista, num truco ou numa peça improvisada em ser nada... uma sala escura, esfumaçada e unanimemente desagradável. Ainda sim desejo ser peça da jogada. Desse jogo de baralho, que as regras decorei, tenho lapsos de memória e invento algumas novas. Sou como um curinga de carta marcada. Um curinga de carta marcada é lixo ou é peça de trapaceiro ou nos diverte. Pick me e pode rir da minha cara.
3 comments:
Na minha cidade
temos metrô para oferecer
às pessoas de todas as idades Quando alguma coisa me arde
saio a me recolher
no mais,
só tenho a agradecer
engraçado, que ontem escrevi sobre antiontem escrevi sobre são paulo.
vou postar depois.
:)
não culpo minha cidade, sei que se morasse em saopaulo tb não iria agradecer.. a insatisfação é minha, eu sei, mas sorrio por ai! acho tudo isso divertido!!
tua visão sobre sampa!!.. aguardo!
Caringa.
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