Tudo está na natureza
encadeado e em movimento -
cuspe, veneno, tristeza,
carne moinho, lamento,
ódio, dor, cebola e coentro,
gordura sangue, frieza,
isso tudo está no centro
de uma mesma estranha mesa
Misture cada elemento -
uma pitada de dor,
uma colher de fomento,
uma gota de terror
O suco dos sentimentos,
raiva, medo ou desamor,
produz novos condimentos,
lágrima, pus e suor
Mas, inverta o segmento,
intendifique a mistura,
temperódio, lagrimento,
sangalho com tristezura,
carnento, venemoinho,
remexa tudo por dentro,
passe tudo no moinho,
moa a carne, sangre o coentro,
chore e envenene a gordura
Você terá um ungüento,
uma baba, grossa e escura,
essência do meu tormento
e molho de uma fritura
de paladar violento
que engolindo, a criatura
repara o meu sofrimento
coá morte, lenta e segura
Eles pensam que a maré vai mas nunca volta
Até agora eles estavam comandando
o meu destino fui eu, fui, fui,fui fui recuando,
recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta
e tão forte quanto eles reagem a ressaca
da peça do Chico Buarque e Paulo Pontes
9 comments:
esse texto me marcou numa época
ufa!
tava lendo
e achei que
era o post no qual
tu prometeu me descrever...
já tava me achando
me posta também!
Ontem também vi "O tempero da Vida".
Delicioso.
ali.ce viu gostando do tempero
pelo jeito tem gente que entende "cutuco" literalmente, hein?
hein?
quem cutucou quem?!?!
ou seja sou tua fã
Eu adoro por demais os barulhinhos levitanteanos de to rocommm, ahan. linda!
olha, linda!
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