March 14, 2006

gota d´água


Tudo está na natureza
encadeado e em movimento -
cuspe, veneno, tristeza,
carne moinho, lamento,
ódio, dor, cebola e coentro,
gordura sangue, frieza,
isso tudo está no centro
de uma mesma estranha mesa
Misture cada elemento -
uma pitada de dor,
uma colher de fomento,
uma gota de terror
O suco dos sentimentos,
raiva, medo ou desamor,
produz novos condimentos,
lágrima, pus e suor
Mas, inverta o segmento,
intendifique a mistura,
temperódio, lagrimento,
sangalho com tristezura,
carnento, venemoinho,
remexa tudo por dentro,
passe tudo no moinho,
moa a carne, sangre o coentro,
chore e envenene a gordura
Você terá um ungüento,
uma baba, grossa e escura,
essência do meu tormento
e molho de uma fritura
de paladar violento
que engolindo, a criatura
repara o meu sofrimento
coá morte, lenta e segura

Eles pensam que a maré vai mas nunca volta
Até agora eles estavam comandando
o meu destino fui eu, fui, fui,fui fui recuando,
recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta
e tão forte quanto eles reagem a ressaca

da peça do Chico Buarque e Paulo Pontes

9 comments:

Anonymous said...

esse texto me marcou numa época

Anonymous said...

ufa!
tava lendo
e achei que
era o post no qual
tu prometeu me descrever...

já tava me achando

Anonymous said...

me posta também!

Anonymous said...

Ontem também vi "O tempero da Vida".
Delicioso.

Anonymous said...

ali.ce viu gostando do tempero

Anonymous said...

pelo jeito tem gente que entende "cutuco" literalmente, hein?

Anonymous said...

hein?

Anonymous said...

quem cutucou quem?!?!

bio said...

ou seja sou tua fã

Eu adoro por demais os barulhinhos levitanteanos de to rocommm, ahan. linda!
olha, linda!